29 de setembro de 2006

DEVANEIOS DELIRANTES

O afã da vida regurgita minha procura pelo manjar dos deuses. Já apalpei os apanágios do ceticismo e da fé-cega e o meio-termo é o que mais me convence pela falta de algo que mais me conforme. Às vezes não sei se o sublime é uma ilusão, às vezes tenho certeza que não. Mas de que vale uma certeza que se vincula ao tempo se não a podemos usar a qualquer momento? Não é "louco" aquele que consegue se livrar eternamente destas certezas temporárias, pois assim age sem regras? Desconfio de minha normalidade a todo instante. Nos espaços curtos da sabedoria, imagino o esconderijo de uma porta para um universo de desconhecimento. O desejo intenso de chegar nesta porta parece esbarrar na muralha dogmática da soberba que tenho sobre minha instrução. A cela externa em interação com meu corpo ainda me engana mais sobre os caminhos. Para onde vou? Será que a trilha contém pedras que sinto ou será que o caminho é uma ponte de chocolate sobre um rio de sucos onde se enxerga mesmo de olhos fechados? Nesta bifurcação, almejo que meus instintos, anjos-da-guarda ou sorte conduzam-me para a verdade. Ao menos, resta a esperança.
(Ricardo Leão de Souza Zardo Filho - 28/09/2006)